quinta-feira, 3 de junho de 2021

Later 2020 I've moved to a nice place with a balcony (which it was supposed to be a plus) however, it face eight other balconies from the building opposite to it. Personally, it didn't matter, I solved the problem with a beautiful white curtain.

Occasionally I would open it to clean and let the fresh air circulate, but the girl living just opposite to my place was always sitting on her balcony and I had the unpleasant feeling that she was observing the neighbours. Once or twice she would play music so loud and dance to it, acting as if she was privately dancing inside her own room, the problem was that we could perfectly see her room from our balcony. I always wondered if she was a rich woman because she seemed to always be at home doing "nothing".

But one day I opened my balcony door and saw an empty apartment. She was gone.

I don't know why I was so surprise to see the empty space but I felt relieved that no one would be staring at my place on cleaning days. Still it got me wondering why she moved; I was wondering if she got married, or finally the landlord send her more than three warnings for loud noise and she had to move; or if she just simply found the place of her dreams and moved on. 

A couple of weeks has past and someone who really loves plants moved in. I saw a couple of vases sitting in the balcony last weekend when I opened the balcony door. Today I saw that the plants took over the whole area and I also noticed a few piles of boxes around.

Whoever moved in always keep the blinds down to a level where we, from the building in front of it, can only see the skirts of the furniture. I like the respect and privacy. 

Welcome, new neighbour!

quinta-feira, 11 de março de 2021

Encontrei este meu antigo blog, reli todos os posts e é fato: eu não sabia de nada!

Já não me reconheço nestes textos, salvo um ou dois que ainda hoje fazem sentido.

Quanto dramalhão! Espero ter me tornado uma mulher um pouco menos emocionada. 

Enfim, estou de volta. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Somewhere over the rainbow ♪


Há alguns dias fui à praia de Maroubra para encontrar com um amigo, naquele dia, decidimos que não iríamos sentar na areia e decidimos andar em volta da praia até chegarmos às pedras que ficam do lado esquerdo da praia.

No momento em que pisei no rochedo, me senti em um lugar completamente diferente, um lugar onde poucos poderiam me encontrar e quase nada poderia me perturbar. Enquanto caminhava, pensei que não poderia haver lugar mais assustador ou mais deslumbrante do que aquele. O rochedo possuía algumas frestas que nos mostravam claramente o oceano lá em baixo.

Sentamos para observar o mar que estava violento, meu amigo sugeriu que a turbulência era causada pelo primeiro dia de lua cheia do mês. Eu sugeri que o mar não dependia da lua para enlouquecer e assim, discutimos por alguns minutos os possíveis motivos da mudança marítima. Ele é russo, então é uma pessoa muito realista, não gosta de pensar em possibilidades, ele gosta de fatos; enquanto eu, sou completamente o oposto, gosto de possibilidades, os fatos não me bastam.

Ficamos quase quarenta minutos só observando o mar, ele parecia furioso. As ondas iam e vinham cada vez mais fortes, como uma pessoa que inspira e expira o ar tentando se controlar mas, no final, perde o controle e parte para cima com toda a fúria e força possíveis. Quando as ondas se elevavam à altura de nossos olhos, era impossível não sentir um frio na barriga e pensar: "Ferrou!", mas ríamos cada vez que a água batia violentamente na pedra abaixo e respingava água em nós. Quem nos via pensava que tínhamos ido à praia para um mergulho casual com roupa e tudo! Foi gostoso.

Depois de um tempo, cada vez que as ondas quebravam na rocha abaixo e respingava água para o alto, aparecia um singelo e tímido arco-íris. Fiquei completamente sem ar quando vi. Tentei me recordar da última vez que tinha visto um, mas fazia tanto tempo que não consegui lembrar. Confesso que me segurei para não chorar de emoção, por mais difícil que pareçam as situações pelas quais passamos, ainda podemos nos maravilhar com coisas simples, que veem de graça e só para àqueles que se dão ao luxo de apreciar e buscar esse tipo de dádiva. 

Meu amigo viu que eu estava emocionada e me pediu para olhar um pouco mais adiante, e prestar atenção quando as ondas estão se elevando e começam a tomar forma antes de quebrar contra as pedras. Por tudo o que é mais sagrado, eu juro que meu coração parou quando meus olhos viram que, quando a água transparente se eleva e começa a tomar a forma arredondada de uma onda com a borda branca de espuma salgada, nesse exato momento, nos três míseros segundos que essa transformação leva, é possível ver arco-íris entre a água transparente e a espuma. Não consigo e nem devo tentar explicar mais, isso é uma dádiva que só quem tem o privilégio de um dia presenciar vai entender.

Foi, sem sombra de dúvidas, a coisa mais linda que vi desde que cheguei em Sydney e não vejo a hora de poder voltar ao mesmo lugar e presenciar novamente tal espetáculo. Tentei registrar tal momento, mas é muita pretensão minha pensar que poderia ter tamanho poder, mas, fica a tentativa do registro.





quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sinceridade?

Queria postar algo sobre o que tenho vivido nos últimos dias, essa nova sensação, cada momento e pessoa que entra em minha vida sem ao menos pedir licença.

Mas acabei descobrindo que sou muito supersticiosa e, por isso, ficarei quietinha.

Benvindo 2015!







segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Over and over and over again [...]

Again, here I am speaking about you.

Actually, I can't spend a single day without thinking of you. When you will come back?

You know, the last time when I was wondering when you would show up, you came so fast and so strong that now I fear you; for the first time I don't know if I want you back. 'Cause, I really don't know what will happen this time, if it will be for a long time or like the last time, so quickly and confusing, you know?

Yesterday I was lying in my bed and I started to thinking if here, on the other side of the world, you will be gentle and differente, 'cause in Brazil you act like a jerck and now I realize that I don't like your "brazilian style".
But, yes. I miss you.

I'm overthinking about you, I want you but at the same time and don't want you. Yes, it is ridiculous, but how can I deal with you if you scares me so much?

Please! Please! Please!

If you plan to come back, please...! Make sure that you will be nice with me, seriously.

[...]


Regards.





quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Primeira semana.

Finalmente, pisei em solo australiano!

Sydney é basicamente uma São Paulo repleta de flores e árvores, prédios pequenos, pessoas educadas, mergulhadas em um milhão de diferentes culturas. De fato, a Austrália é um Brasil que deu certo.

Logo que cheguei, fui recebida por uma grande amiga, que me levou para resolver os pepinos que a troca de países resulta, depois fomos fazer compras para que eu não morresse de fome e voltei para a casa na qual estou agora. Divido ela com mais sete pessoas, seis homens e uma mulher, três poloneses, um tcheco, dois brasileiros e uma eslovaquiana. Isso aqui é demais!!! A primeira noite foi regada à um inglês terrível, no qual eu só conseguia me apresentar, o nervosismo tomou conta de mim.

No dia seguinte consegui falar melhor e fui elogiada pelo pessoal que disseram que meu inglês era ótimo.Confesso que ainda não conheci muitos pontos turísticos, apenas a Darling Harbour. É engraçado, porque eu sempre assisti a um programa chamado "O Mundo Segundo os Brasileiros", quando assisti o capítulo sobre Sydney eu vi uma menina mostrando Darling Harbour e pensei "um dia eu sentarei nesses degraus e ficarei vendo o pôr-do-sol", a mente tem um poder incrível! No entanto, caso alguém venha me visitar, saberei mostrar todos os supermercados da região rs

Quando fico sozinha, ando pelo bairro para memorizar as coisas que tem por perto e acabo sempre indo ao mercado e comprando uma coisa ou outra. Gosto de andar por aqui, porque a sensação de segurança é grande e posso ver o céu, uma caminhada de vinte minutos me leva a um parque muito gostoso, sempre vou lá e fico sentada vendo as pessoas se exercitarem ou apenas caminharem pelo gramado. Acho que estou apaixonada por esta cidade.

Tenho feito muitos amigos, a constante saída e chegada de novas pessoas possibilitam esse conhecimento e é tão gostoso ter contato com culturas diferentes (e um pouco assustador também) que eu desde que cheguei só penso em renovar meu visto por tempo indeterminado.

Anyway, a melhor coisa que fiz este ano, com absoluta certeza, foi ter saído do Brasil e me afastado de pessoas que, na verdade, nunca acrescentaram nada em minha vida. Se eu tivesse a leve noção de que ao mudar para outro país eu conheceria pessoas completamente diferentes das que eu estava acostumada a viver, eu teria mudado há anos! O choque cultural é bizarro, mas é o que eu mais amo.

Cheers!




"Deus é bom sempre! Sempre Deus é bom!"

Quando algo que você quer muito não sai da forma que você gostaria, nenhum conselho lhe trará conforto, pois a decepção gera raiva e rancor. Há poucos dias isso aconteceu comigo, meu voo foi adiado por conta de um imprevisto e eu fiquei desesperada e irritada, queria matar cada uma das vinte pessoas que repetiram (de maneiras diferentes) a frase "Se não deu certo agora, é porque Deus sabe a hora certa para você viajar". Só não voei no pescoço de ninguém porque fui madura o suficiente para me trancar no quarto como uma criança rabugenta e dormir até que o ódio passasse.

Vou explicar o porquê esse atraso me irritou. Nunca viajei para fora do Brasil, mas de uma hora para outra eu decidi ser atrevida e mudar para a Austrália, o voo entre os dois países possui diversas escalas e um total de vinte e cinco horas de voo. No dia inicialmente determinado para eu viajar tinha inúmeras vantagens: passagem comprada, horário ótimo, e pessoas que eu conheci pela internet que iriam comigo, ou seja, se desse alguma merda, sozinha eu não estaria. Você, que está lendo, já sabe que não aproveitei nada disso! Paguei para adiar a passagem e soube imediatamente que viria sozinha.

Pois bem, raivas à parte, vim determinada a embarcar logo para o outro lado do mundo, cheguei cedo ao aeroporto e tive a sorte de ser atendida por uma moça simpática, que me colocou na poltrona da janela nos próximos dois voos (inicialmente eu estava nas poltronas do corredor). Ao entrar no avião (e-nor-me!) não senti medo ou frio na barriga, e eu estava esperando por isso! Mas não senti nada. O passageiro ao meu lado era normal, um homem com rosto cansado mas tranquilo sentou e me cumprimentou; não me pergunte como, mas em dez minutos estávamos entretidos em uma conversa sobre religião e fé, assim continuamos por quase duas horas, quando ele pediu licença para cochilar (ele foi educado o suficiente para aguentar a minha tagarelice por horas). Eu me acomodei (de forma muito bizarra na poltrona minúscula) e assisti "O Diabo Veste Prada" pela milésima vez, quando o filme terminou, notei que o avião inteiro estava às escuras enquanto todos ao meu redor dormiam. As instruções dadas pela aeromoça eram basicamente "Acomodem-se, fechem as persianas e durmam", mas eu não estava com um pingo de sono! Desliguei a TV e abri a persiana de novo et voi là! Um céu forrado de estrelas, como aquela tirinha em que o Calvin e o Haroldo contemplam o céu e filosofam sobre o sentido da vida. Olhei para as turbinas do avião ao lado da minha janela e tentei identificar o que era aquela coisa branca embaixo de nós; sim, pode rir, mas era muito difícil não confundir as nuvens com as espumas do mar, simplesmente não sabia diferenciar céu, terra e mar, só contemplei e rezei, agradeci e sorri. Minha vida é boa, é perfeita e eu não tenho motivos para me trancar no quarto escuro e permitir que o ódio corroa meu coração. Tentei dormir, mas não adiantou nada, então coloquei e assisti um pedaço de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", acabei dormindo o que pensei ter sido dez minutos, até ouvir a voz do comandante dando bom dia, pedindo para que abríssemos as persianas para ver o nascer do sol. Foi IN-CRÍ-VEL!

Tomei café da manhã e voltei a conversar com o rapaz do meu lado, mas dessa vez, eu estava pedindo dicas de como me virar no aeroporto, o que fazer, para onde seguir. Comentei que algumas pessoas que haviam embarcado no meu voo inicial haviam dito que no aeroporto de Johannesburg havia um lugar no qual você poderia comer, beber, dormir e tomar banho por três horas, com o pequeno preço de trinta e cinco dólares, e ele, perdoe-me, não o apresentei, Paulo, precisava correr para pegar o segundo voo, mas disse que eu poderia ir com ele até o lounge VIP que ele me colocava como acompanhante sem precisar pagar nada, e com um plus, sem hora limitada para ficar. Pode não ser por este motivo específico que Deus atrasou o meu voo, mas com certeza isso foi bem melhor do que eu esperava, pois eu ficaria mais de dezessete horas sozinha, em um banco qualquer, esperando a hora de finalmente ir para a Austrália.

Volto a repetir a frase que aprendi há apenas três dias: "Deus é bom sempre! Sempre Deus é bom!", e de fato, você está onde Deus quer que você esteja neste momento, o motivo não é claro, mas uma hora você vai entender.

Neste exato momento, segundo o horário do meu computador, no Brasil são 05h44 a.m. e aqui na África do Sul, são 10h44 a.m. Ficarei aqui até às 20h45 quando embarco para o meu segundo destino, Perth, na Austrália. Tentarei aproveitar este espaço VIP e agradecer mais um pouco a Deus por ter colocado este anjo no meu caminho e, principalmente, por Ele ser meu pai e nunca me deixar na mão. Ele é misericordioso, é bom demais, e ama demais. Espero retribuir na mesma medida, ou pelo menos, de maneira satisfatória para Ele.

See u soon =*







P.s.: Escrevi esse texto no aeroporto e esqueci de postar, reli e vi que está confuso, mas era assim que eu me sentia naquele momento, então acho digno manter dessa maneira.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

So, let's try... Once again!

Esses dias de "descanso" me deram muito tempo para pensar, não que eu não tivesse tempo para isso nas intermináveis horas monitorando os candidatos enquanto eles faziam prova nos últimos três meses, mas é diferente quando estamos sozinhos em um quarto parecendo um bebê que acabou de descobri que tem mãos e, vejam só, cinco dedos em cada mão! Sozinhos descobrimos muito sobre nós mesmos, é também o momento em que percebemos que somos seres defeituosos e sozinhos.

Eu entendi que tenho vivido muito rápido coisas que eu deveria ter vivido há anos atrás, mas devido ao tiro que um dia atravessou meu destino, não pude vivê-los. Comecemos pelos meus últimos relacionamentos. 

O primeiro durou quase dois anos, mas em nenhum momento eu o amei realmente, no final, descobri que eu entrei nessa para poder mudar meu status no facebook e poder reclamar com as meninas na cantina da faculdade sobre como ele fazia coisas que me irritavam, se elas podiam me dar uma dica de como super e tudo mais. Na real, eu fiquei dois anos da minha vida com uma pessoa por medo de dizer "Basta!" e ter que recomeçar tudo de novo com outra pessoa. Isso não soa meio familiar?

O segundo foi bem intenso, durou pouquinho, veio com força me tirando o chão e me deixando maluca em apenas segundos. Mas foi embora da mesma maneira que veio. Não sei se cheguei a ter o mesmo efeito na vida dele, ou se deixei algum rastro e talvez eu nunca saiba se consegui chegar perto de seu coração. Agradeço por tudo, realmente, as coisas não são como queremos e talvez exista um bom motivo para isso. Se você ler o meu blog, saiba que você foi o estopim para o que está prestes a acontecer na minha vida, acho que tudo o que aconteceu conosco me deu forças para pular de cabeça nessa e descobrir o que há de novo lá fora, o que o destino reserva para mim. Afinal, não conhecemos ninguém por acaso, o destino sempre interfere, não é? 

Mudemos de tópico, vamos para trabalho (o que é quase um relacionamento, mas com muuuuito mais gente envolvida...!).


O primeiro durou um ano e quatro meses, foi duro, terrível em alguns momentos, lidar com pessoas é relativamente fácil quando comparamos a ter que lidar com o ego delas! Viram literalmente monstros. Só que percebi, em meio a essa selva, pessoas muito boas e que realmente querem o nosso bem, mesmo quando você é como eu, que não consegue guardar as coisas para si e adora colocar tudo em debate. Aprendi que é neste exato momento que você descobre quem realmente vale a pena manter ao seu lado.


O segundo durou tão pouco quanto o segundo relacionamento, mas foi tranquilo, benéfico e inspirador. Doeu muito dizer adeus e confesso ter saído daquele prédio com uma imensa vontade de dar meio volta, sentar no sofazinho da recepção e espernear caso alguém quisesse me tirar de lá. Tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas que me ensinaram coisas que eu nem imaginava que poderia aprender naquele ambiente. Descobri também que nunca sabemos a história das pessoas, mesmo que elas pareçam tenentes de um exército no Iraque, vale muito à pena pagar um café para ela e bater um papo. Como podemos nos surpreender...

Percebe? As coisas começam de um jeito, de repente, pisco os olhos e tudo mudou, está mais intenso, melhor até e, de novo, tudo acabou e preciso começar rápido e ... só me resta o vazio da lembrança. Tenho a sensação de estar no mar e ser "engolida" por uma onda forte, daquelas que empurram para baixo e eu demoro três segundos para descobrir para que lado nadar e conseguir respirar. Quando finalmente consigo preencher meus pulmões com ar puro, vem outra onda e me arrasta de novo para baixo, me fazendo rodopiar no meio do nada apenas para me confundir e me obrigar a tomar decisões rápidas, coisa de vida ou morte, um segundo de dúvida pode me manter lá embaixo para sempre.

Então eu disse à alguém sobre tudo isso e perguntei: "Você vê esse precipício pelo qual passamos todos os dias e fingimos não notar? Você também escuta o eco das vozes quando apaga a luz antes de dormir? Não te arrepia pensar que talvez eles estejam certos? [...] Sabe, acho que um dia eu vou pular lá embaixo para descobrir". E esse alguém simplesmente me empurrou precipício abaixo.





Cá estou, ouvindo "Medicine" sem chorar (acreditem!) e pensando em quanto tempo falta até esse último loopin acabar. Me sinto perdida, porque simplesmente não sei se devo me sentir arrasada por estar desistindo de absolutamente TUDO o que construi aqui ou se devo me sentir orgulhosa por estar dando um passo grande, aceitando todos os ensinamentos que me fizeram amadurecer de uma maneira que eu não esperava até ter, no mínimo, trinta anos.

Lembro que a minha adorada Magistra me disse logo após a apresentação de TCC que sentia muito orgulho de mim, que eu era uma heroína, mas ah, quem me dera saber o que ela acha dessa minha loucura! Será que eu estaria apta a dividir o mesmo campo de batalha que Ulisses?

Outro mestre que sempre me deixou de queixo caído certo dia disse que a literatura ensinava os truques da vida, e hoje eu discordo. Acho que ela não ensina nada, só mostra as armadilhas, temos que descobrir como passar por elas sozinhos, à nossa maneira. E definitivamente não dá para superar rapidamente um amor fracassado, mesmo porque não caí outro cinco minutos depois de uma árvore, como costuma acontecer nos romances (e isso é um saco, acho que nesse ponto a vida podia literalmente copiar a arte).


Um dos meus escritores favoritos disse: "There are far better things ahead than any we leave behind" - C.S. Lewis


E meu amado Joseph Campbell completa: "You must give up the life you planned in order to have the life that is waiting for you".

Dito isso, eu oficialmente desisto.


Não quero mais entender nada, não vou deixar de sonhar, mas desisto de tentar conquistar aquilo que não é para mim, pelo menos, não hoje, não agora. Ah, sim, eu sei que um dia realizarei todos os meus devaneios e descobrirei os porquês que me assombram toda santa noite, sei que àqueles que desejam algo de coração, sem a intenção de prejudicar ninguém, sempre conseguem. Os sonhadores não tem muito espaço nesse mundo, mas vai dar tudo certo.

Às vezes penso que essa sensação de impotência, de não saber exatamente o que sentir e como agir, é a mesma sensação que uma borboleta tem antes de finalmente sair do casulo e voar livremente por aí.

Ou estou apenas delirando? Como saber...?



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sentidos

Eis que confesso ser um tanto quanto vaidosa no quesito cosméticos. Tento ao máximo não relaxar com esses detalhes, por isso sempre acabo escolhendo um creme ou um perfume específico para cada ocasião.

De fato, o frio machuca e resseca a pele, principalmente a de uma pessoa que como eu adora tomar banho com a água fervendo; isso exige o dobro de creme para que o prazer da água quente não me transforme numa velha enrugada antes do tempo. Hoje escolhi um que utilizei raras vezes, o conservei o máximo que pude, pois desejei que cada vez que eu o derramasse sobre minha pele as consequências fossem incríveis e inesquecíveis, que realmente valessem à pena.


Em questão de um segundo, o aroma que exalava enquanto o creme caia do potinho até minha pele, me veio à cabeça lembranças de dias muito felizes, o som de uma voz grave me chamando ao longe, o cômodo fechado e seguro no qual eu me encontrava todas as vezes em que eu passava este mesmo produto, aposto que se eu fechasse os olhos conseguiria descrever detalhes e mais detalhes de cada dia em que essa essência me acompanhou. Na verdade, eu apenas lembraria e reviveria tais momentos, não me considero capaz de descrever o que esse perfume significa para mim, o que ele realmente me mostra e me faz reviver. São sentimentos extremamente pessoais e que não fariam sentido caso fossem proferidos.

E digo mais, tenho absoluta certeza de que daqui há alguns anos, este cheiro ainda me trará as mesmas emoções e lembranças com a mesma intensidade com as quais foram vividas.


Engraçado como memorizamos coisas tão pequenas mas que podem balançar sua alma caso você se permita relembrar tais momentos com a mesma ferocidade que a saudade esmaga seu peito.


Às vezes viver a vida sem sentido é menos dolorido do que seguir um rumo fixo.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Miss u grandpa!


Há muitas coisas diferentes acontecendo em minha vida, uma delas é a nova rotina de transporte público que, com muito custo, estou tentando aprender. Ainda preciso da ajuda dos cobradores irritados com a população para saber exatamente em qual ponto descer, e hoje eu peguei o ônibus errado... fui parar muito longe do metrô, a sorte é que por conta de algumas desventuras recentes eu sabia exatamente onde estava e pude correr para o ponto mais próximo que me colocaria de volta à rota de fuga.


Demorei o dobro do que demoraria normalmente para chegar na última etapa dos transportes, que carinhosamente eu chamo de "Cérbero Paulista", o ônibus da linha verde!

Caia uma chuvinha tão fina que poderia ser confundida com o sereno da madrugada, havia três filas de pessoas esperando às próximas peruas, como a terceira era a menor, me acomodei nela e fiquei observando as pessoas nas duas primeiras fileiras. Sim, tenho esse péssimo hábito de analisar as pessoas, mas veja, eu observo seus gestos e expressões, não suas roupas ou cabelos. Quando a primeira fila se foi, demos aquele passinho básico para o lado e assumimos a fileira dois, enquanto a segunda tomou o lugar da primeira.

Observando as pessoas adentrando no veículo, vi que no final da fila estava um senhor com idade suficiente para entrar na frente de qualquer pessoa, mas lá estava ele, aguardando pacientemente sua vez. Fiquei observando seu rosto, gordinho, cheio de marcas do tempo mas com uma inocência quase infantil nos olhos e a boca entreaberta, ele prestava atenção em tudo enquanto dava pequenos passos em direção à porta, como se não quisesse fazer nenhum movimento errado. Ele era menor que eu, gordinho (eu já disse isso?), se apoiava em um guardachuva grande e preto.

Eu o observei com muita admiração, porque às vezes isso acontece, você se encanta por alguém que nunca mais irá ver e nem sequer trocará uma única palavra, mas ela te conquista mesmo assim.

Vi que sobrou lugar na van e rapidamente abandonei a fila e subi, me sentei em frente ao velhinho que me encantou e fez meu coração doer tanto em uma questão de dois minutos como não doía há anos, pois senti uma falta imensa dos meus vovôs, principalmente o meu "jûdo", que não passava uma tarde sem vir à minha casa tomar café e ouvir uma ou duas músicas árabes, sem contar todas as vezes que ele me convidava para discutir o que acontecera no último capítulo de "Maria do Bairro", sim, ele era viciado em novelas mexicanas.

De qualquer forma, me sentei à sua frente, sem olhá-lo, e fiquei lembrando de coisas passadas, me ocorreu em como eles ficam frágeis e dependentes no final da vida, que isso acontecerá comigo e com você, que está se dando ao trabalho de ler este texto. Senti uma vontade imensa de abraçar aquele homem, pois não importava o que ele havia feito no passado, não queria saber se ele era ou não um bom homem, naquele momento ele era um senhor de idade fofo demais para não ser admirado. Quando chegou no seu ponto, ele deu sinal e desceu os degraus com uma rapidez duvidável para alguém com tantos cabelos brancos, ao pisar na calçada ele se virou e, por um segundo, achei que ele bateria continência para o motorista, mas levantou o polegar esquerdo e murmurou um "obrigado", depois seguiu seu caminho.


Não pude deixar de sorrir com aquilo, foi a coisa mais simples que uma pessoa podia fazer para agradecer, mas ao mesmo tempo foi tão respeitoso e sincero, que se ele tivesse dado flores ao motorista não teriam tanto valor quanto este pequeno gesto. Continuei sorrindo por mais alguns minutos e agradeci a mim mesma por ter, dessa vez, lembrado de que eu possuo um celular com câmera e que eu não perderia novamente a chance de fotografar àqueles que me fazem repensar em como eu levo a minha vida e o que carrego de realmente valioso comigo¹.

Obrigada, senhor fofura. Espero que nunca fique bravo comigo por este apelido carinhoso, mas você, sem a menor intenção, me trouxe tantas lembras boas que eu só queria te abraçar e dizer: "Boa noite, vovô".



¹ Vide "Herói de Mármore", perdido em alguma página deste mesmo blog.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

I'll know my name as it's called again ♫

Às vezes é inevitável nos compararmos com outras pessoas e isso gera algumas questões um tanto quanto difíceis de serem respondidas.

Ontem à noite eu estava conversando com um caro amigo, estávamos contando nossas últimas desilusões e rindo da desgraça um do outro, então ele me contou como supera os desastres da vida. Eu discordei da sua maneira de superação e contei a minha; para ele pareceu que eu apenas sobrevivo nesse mundo e isso o fez discursar sobre como a vida é curta, que o melhor é viver sempre no limite e começou a explicar como a vida é parecida com os esportes radicais e etc. Obviamente fiquei contrariada, disse o que eu considero realmente importante e lá se foram quase duas horas de um debate emocionante sobre nossas perspectivas de vida e ações que consideramos as melhores e mais úteis. 


Foi algo bem produtivo e interessante, mas no final, nenhum dos dois mudou de ideia. Nos despedimos e fomos dormir.



Fiquei pensando sobre tudo e finalmente eu entendi que é essa expectativa de vida que cada um tem que torna essencialmente cada ser humano único e inigualável. Não podemos mudar ninguém e nem deveríamos um dia querer tal coisa, inclusive de nós mesmo, foi então que aceitei as minhas escolhas. Confesso, não sem um pouco de constrangimento, que sempre me comparei com outras pessoas, me perguntava com frequência o porque eu não podia ser igual às mulheres da minha idade, por que eu nunca me interessei pelos mesmo assuntos e se isso influenciava nos meus amores fracassados.


Pode ser que influenciem, afinal, as pessoas costumam generalizar tudo e a todos, por que não generalizar a banalidade da mulher atual? Mas, a partir do momento em que o cara pára um minuto para analisar a mulher ao seu lado, ele precisa ver suas qualidades e defeitos, se o que há de melhor nela se sobrepõe ao pior e assim por diante. Então, não, Suade, suas escolhas não influenciaram os fracassos amorosos. Os fracassos ocorreram porque os homens não estavam prontos para algo diferente, ou, simplesmente eu não era aquilo que eles esperavam, fazer o quê?


Minhas escolhas só influenciam meu próprio futuro e é assim que eu quero que seja. Não vou mais pensar em mudar por ninguém, não quero mais tentar melhorar para que um dia alguém me veja como uma pessoa especial. Vou permanecer com os meus sonhos, meus modos, minhas convicções e vou ser feliz assim.


Para mim há coisas mais importante do que conhecer o mundo, ficar com mais de dez homens em uma festa, ser bonita o suficiente para que todos os homens que passarem por mim virem o pescoço para me admirar, ou ter todas as roupas da marca mais cara do mundo apenas por status.

Não!

Vou continuar com o meu all star vermelho furado e imundo, ele já tem o formato certinho do meu pé e só Deus sabe o quão difícil é modelar um all star! Continuarei desejando um amor que me enlouqueça, porque sim, eu sou do tipo de mulher que acredita no amor impossível, grudento, arrebatador, amigo e avassalador. Quero conhecer o mundo, mas não sozinha... Vou levar esse amor comigo para onde meu destino me guiar. Vou permanecer com os meus livros nas noites frias ao invés de encontrar qualquer corpo quente para me esquentar, eu não sou uma qualquer, não mereço qualquer um. Eu mereço um príncipe (no mínimo)! 

E é assim que eu finalmente me aceito, da maneira imperfeita e esquisita que sou, com os sonhos que meu coração suplica todos os dias, com a minha beleza incomum e meu corpo todo trabalhado no chocolate (algo que simplesmente jamais abrirei mão).

Benvinda ao mundo novamente, Suade! Dessa vez eu vim para conquistar e não mais tentar.

Seja o que Deus quiser.

MAKTUB!




Cause I need freedom now, and I need to know how,
To live my life as it's meant to be.
And I will hold on hope,
And I will let you choke,
On the noose around your neck,
And I find strength in pain,
And I will change my ways,
I'll know my name as its called again.
 ♫






quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mais uma vez.

Toca o sino e alguém grita lá longe.

Com o coração ardendo, a respiração ofegante e os músculos do corpo moles de tanto apanhar, me retiro para o canto do ringue para ouvir aquilo que já sei: ganhei a luta por desistência do oponente.

Encosto a cabeça nas cordas e fechos os olhos, pensando: "Por que você desistiu? Estávamos quase lá!"; abro os olhos e encaro a nuca do meu rival que já saiu do ringue e caminha lentamente para a saída. Não tenho forças para gritar e pedir para que fique, estou exausta.

Todos os dias eu ia à luta esperando que o oponente me derrubasse logo para que eu me desse por vencida e, assim, ele pudesse levar o troféu para casa. Foi uma longa batalha, se considerarmos todos os fatos. Tentei ser positiva, acreditar no melhor, mas "as coisas não são como nós queremos que sejam", nunca são.

Um dia vi no relógio da universidade a seguinte frase: "Se tá fácil, tá errado!", mas e se estiver impossível, também está errado. Além da exaustão, me sinto triste, quase vazia. Não sei para que lado devo ir, por isso, permaneço dentro do córner, esperando. O quê exatamente eu não sei, mas espero.

Meus pensamentos ainda estão confusos, realmente não sei o que fazer, pensar, falar, só sinto saudade e tristeza. Não  vou desistir de encontrar esse sentimento novamente, mas, por hora, vou apenas absorver mais essa derrota e seguir em frente.

A propósito, eu sempre soube que torcia por você.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A fake soul.

Existem pessoas talentosas espalhadas por todos os cantos do mundo, ao mesmo passo que existem pessoas desprovidas de magia ou talento, sinto dizer que faço parte do segundo grupo.

Se eu pudesse escolher um talento, eu escolheria desenhar, porque acredito que quando um desenhista está com a cabeça lotada de pensamentos, basta pegar um lápis e deixar a mão deslizar à vontade sobre um papel em branco que no final das contas, algo maravilhoso terá nascido.

Ou, poderia sentar à beira de uma calçada e desenhar algo que estivesse por ali, talvez alguma pessoa sentada próxima; desenharia o pedaço de céu que os edifícios me permitiriam ver e as nuvens que nele estivessem passeando. Não é segredo para ninguém o quanto eu amo o céu, ele é tudo para mim; através dele eu sinto paz e segurança de que não, não estou sozinha. 

Se eu possuísse esse talento, eu daria vida aos meus sonhos mais absurdos e às fantasias que eu crio antes de dormir. Quem sabe eu, um dia, chegaria a desenhar um filme inteiro para a Disney? Sonhos grandes. 

Mas infelizmente não possuo esse talento, em vez disso, sou uma fraude, uma trombadinha descarada que não mede esforços para conseguir o que quer. Eu tenho a necessidade de gravar as coisas em minha mente, principalmente àquelas que me fascinam ou, de alguma forma, me fazem perder a noção de tempo e espaço, por isso, sinto dizer que eu fotografo.

Para tudo na vida existe uma solução, e acho que o fotografo nada mais é do que uma cópia barata dos desenhistas. Como não sabemos desenhar, nós registramos aquelas cenas que nos deslumbram e a guardamos em algum álbum assim podemos visualizá-las sempre que queremos, em contra partida, o desenhista pode desenhar a cena que o emocionou e ainda acrescentar detalhes que demonstrem seu carinho e emoção por aquele momento.

Eu sou uma fraude.

Me julguem.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Propósitos.

"Por que quando perguntam: qual é a meta ou o propósito da vida, recebemos tantas respostas diferentes? Isso acontece porque as pessoas estão confusas! Elas realmente não sabem! Elas estão no caminho da escuridão. Ao invés de dizer, eu não sei, elas simplesmente dirão qualquer resposta que foram programadas para responder. Bem, só pense nisso!"
 - O propósito da vida - Khalid Yassin

Ainda estou no "caminho da escuridão", não descobri qual é o propósito da vida, aliás, ainda não sei qual é o propósito da minha existência. Por vezes chego a pensar que não sou nada além de mais um corpo que transforma oxigênio em gás carbônico. Também já cheguei a imaginar que, de fato, eu faria a diferença na vida de alguém (que não fosse minha mãe).

Ao refletir sobre essa questão, muitas vezes cheguei a uma simples conclusão: o objetivo da vida de todos, é amar.

É quase uma felicidade chegar a essa conclusão. Quase porque ao analisar a consideração que as pessoas atualmente tem por esse sentimento, a felicidade se esvai como o ar de um balão murchando no chão de uma festa de criança.

Não há sentimento melhor do que se sentir querido, amado por alguém; é algo que nos fortalece e nos ajuda a ver quase todos os lados bons que existem na vida. Um abraço, quando dado com muito carinho, nos faz sorrir como bobos por horas. Um carinho, uma simples mensagem, um sorriso, são detalhes que mudam o dia de quem acredita realmente no amor.

No entanto, parece que tais detalhes não são mais considerados importantes pelas pessoas e a realização deles seria uma perda de tempo tamanha, que iria matá-los aos poucos se praticassem. Utilizo um trecho de um texto que uma amiga me enviou hoje para exemplificar o porque, amor, hoje tem sinônimo de sofrimento:

"É difícil ter que continuar nadando nesse mar de gente sem coração. É por isso que cada vez mais a gente vê tantas pessoas desacreditando sobre os mais bonitos sentimentos dessa vida.Talvez seja por isso também que os refrões de mais sucesso são os de dor. Vocês estão estragando tudo!
- Algum mural do Facebook - Autor desconhecido.

Por conta do que está escrito acima, tenho passado noites em claro lidando com crises noturnas, é como se todo o sentimento que existe em mim virasse uma bola que fica entalada em minha garganta prendendo toda a minha respiração, e vem aquele calafrio na barriga e o choro por, finalmente, notar que esse sentimento raramente será recíproco.

Me entristece saber que as pessoas fazem pouco caso umas das outras, gente que faz da sua rotina algo mais importante do que o sentimento que uma segunda pessoa pode lhe dedicar. Quantas noites passei em claro tentando me convencer de que um dia talvez as coisas mudem?

Cheguei a cogitar a hipótese de buscar amor em outro país, tamanha é a minha decepção com a população ao meu redor. 

O medo fere, machuca e quase rasga literalmente todos os sonhos que construí ao longos desses miseráveis vinte e quatro anos. Esse mesmo medo me faz querer liderar uma rebelião contra esses seres de coração peludo espalhados ao meu redor, é nele que busco forças para não desistir e continuar acreditando, com dificuldade, que um dia serei amada.

"Quem somos é tudo o que temos nesse mundo. E por isso, somos responsáveis em fazer desse mundo algo melhor na medida do possível. Existe amor dentro das pessoas, sabiam? Que vocês um dia percebam isso e parem de olhar para os próprios umbigos e percebam que estão estragando tudo, antes que seja tarde demais. Vocês estão matando o que de melhor nós temos: nosso coração."
- Algum mural do Facebook - Autor desconhecido.


Tenho lutado todos os dias para ter pensamentos positivos e acreditar que o melhor está de fato por vir. Quanto mais o mundo me mostra que é doloroso se expor ao amor, mais vontade eu tenho de encontrá-lo, e sinto que estou chegando perto desse objetivo. A fé é uma das minhas melhores amigas, em tempos difíceis ela me sustenta como uma bengala suporta o peso de um manco. Existem os amigos que me aguentam, pois já passaram no teste "Quem tem mais paciência com a Suade?", e me forçam a sorrir em tempos nublados e úmidos. Sou grata a cada um.

Peço desculpas a você que chegou até aqui, lendo mais do mesmo, mas deixo as melhores frases que ouvi nos últimos tempos, frases em que me apego todos os dias para respirar fundo e mentalizar: "Vai dar tudo certo, no final, sempre dá."


"It's empty in the valley of your heart,

The sun it rises slowly as you walk,
Away from all the fears
and all the faults you've left behind.

[...]

And if your strife strikes at your sleep

Remember spring swaps snow for leaves
You'll be happy and wholesome again
When the city clears and sun ascends

[...]

I came home

Like a stone
And I fell heavy into your arms
These days of dust
Which we've known
Will blow away with this new sun

[...]

You saw my pain, washed out in the rain

Broken glass, saw the blood run from my veins
But you saw no fault no cracks in my heart
And you knelt beside my hope torn apart
But the ghosts that we knew will flicker from view
And we'll live a long life

So give me hope in the darkness that I will see the light

Cause, oh, they gave me such a fright
But I will hold as long as you like
Just promise me we'll be alright

[...]

And I will hold on hope,

And I won't let you choke,
On the noose around your neck,
And I'll find strength in pain,
And I will change my ways,
I'll know my name as it's called again.

[...]

And I'll kneel down

Wait for now
And I'll kneel down
Know my ground

Raise my hands

Paint my spirit gold
And bow my head
Keep my heart slow

And I'll will wait

I will wait for you"

- Discografia do Mumford and Sons

terça-feira, 22 de abril de 2014

Plataforma nove três quartos

Na cidade de São Paulo as pessoas correm como se suas vidas dependessem da velocidade que seus pés alcançam para chegar à tempo na estação de trem ou ponto de ônibus. Se o cidadão perde o ônibus que passa às 17h45 ele chegará meia hora atrasado em casa, o que significa meia hora a menos de sono, de atenção à família, do luxo de relaxar embaixo do chuveiro e mil outras coisas mais. O paulistano corre para viver.

A pressa não permite que ninguém preste atenção em ninguém ou qualquer coisa, por exemplo, quem realmente repara nos edifícios espalhados pela capital? Será que alguém notou como é raro ver o céu nessa cidade? A superfície é repleta de arquitetura e arte, graffites, esculturas e até estátuas humanas, mas ninguém nota nada.

No subsolo a situação é um pouco mais caótica, milhares de pessoas fechadas em um túnel que não foi desenvolvido para suportar metade da população paulistana, existe apenas uma escada fixa e quatro rolantes, dessas quatro duas não funcionam, o que desenvolve uma imensa onda humana de pessoas irritadas com o calor e o passo de tartaruga que são obrigadas a dar para não pisotear o ser à frente. Que caos é viver aqui!

Em alguma parte desse túnel que liga as extremidades de São Paulo, notei um trem parado com as luzes ligadas, portas e janelas fechadas e nenhum passageiro. Uma cena bizarra, quase inédita. Quando há falha no trem, normalmente, ele é retirado de circulação e enviado ao terminal para avaliação, mas aquele não, foi encostado em um trilho que permitia a circulação normal dos trens enquanto ele permanecia ali, sozinho, esperando.

A luz era amarelada e fraca, os bancos eram marrons e o tom cinza desgastado da lataria dava a impressão de que aquele trem era o objeto mais solitário do mundo, esquecido na escuridão subterrânea de uma cidade em que a população não liga para nada. Tive a impressão de que, se o trem possuísse olhos, veria lágrimas escorrerem por sua carcaça cinzenta.

A cena durou pouco mais de dez segundos, tempo suficiente para o trem no qual estava passar por aquele trecho. Imaginei que seria necessário retirá-lo de lá em algum momento, e um maquinista o conduziria por todo aquele túnel, rumo a lugares abertos e arejados, o que sem dúvida, traria um pouco de alegria àquele objeto solitário.

E é assim todos os dias para todo o mundo, o trem corre, corre, corre a toda velocidade. O maquinista tem um determinado tempo para cumprir a rota de uma ponta a outra, e é assim com cada pessoa que toma os transportes públicos. Correm, correm, correm para chegar no horário no trabalho, em casa, no aniversário de alguém, não param de correr um minuto sequer! A única maneira de pararem é se e quando o maquinista que conduz cada coração os abandonam, então os corpos desprovidos de motivação entram em pane. "Senhor, o que devo fazer? Devo parar aqui e esperar o milagre divino me salvar? Ou alguém virá de bom grado me guiar para outro lugar?".

No final das contas, sozinhos, somos todos trens descontrolados rumo à algum lugar qualquer que nem sabíamos onde era até chegarmos lá, mas, se alguém resolve abrir as portas e tomar as rédias do nosso coração, então seremos guiados para os melhores lugares do mundo.

Avante, sr. Maquinista! 

segunda-feira, 31 de março de 2014

La Mort!

O tema do mês é "Morte", o primeiro que me deixou sem ideia ou criatividade para escrever, pois não sei em qual aspecto focar exatamente.

Há um ditado que diz: "A única certeza que temos na vida, é a morte". 
Sim, todos vamos morrer um dia, amanhã, daqui a dois, quatro ou cinquenta anos. Quem realmente sabe?

Entretanto, não acredito que isso seja particularmente um ato do destino ou restritamente uma vontade de Deus. De fato, acredito que utilizamos nossas vidas da mesma forma que conduzimos um carro na estrada; podemos acelerar, correr a mais de 120 km por hora, atropelar tudo a nossa frente e considerar isso a coisa mais empolgante que existe no mundo. Como também podemos andar a 60 km por hora e desviar dos obstáculos com sabedoria e tempo de sobra para refletir sobre o último acontecimento.

Analisei a última semana da minha vida e percebi que ando conduzindo meu carro a mais de 160 km por hora, passando por cima de todos os buracos, lombadas, virando sem a miníma prudência todas as curvas e adentrando cada túnel como se fosse a garganta do cérbero na porta do inferno de Hades. Tão inconsequente, tão doente, tão absurda!

Pensamentos, energias, sentimentos me levam a viver a vida de uma forma rápida e insignificante. Isso vem me matando aos poucos e veja! Aqui está o tema dos "Escritores Fail!". 

A morte tem muitos significados e meios de encontrar as pessoas, mas estou convencida de que ela quase não se dá ao trabalho de buscar àqueles que realmente devem partir, na verdade, ela apenas espera a recebe as almas incompletas e apressadas que não sabem apreciar o doce sabor da vida. Às vezes me pergunto se ela se sente sozinha e inútil por não poder exercer a profissão que lhe foi concedida. Na verdade, qual será o tamanho da tristeza e decepção de Deus ao ver seus filhos brincando de Need For Speed com a própria vida?

"Óh, céus! Me salve!!!", foi o último pensamento de um suicida, que num átimo de lucidez lembrou que existia freio mas, infelizmente, o carro já não estava mais sob seu controle. Ele não podia fazer nada além de pedir misericórdia no último suspiro. "Deus, por favor, por favor, me ajude!", é o pensamento daquele que está tentando controlar o carro que, por pouco, não bateu no último poste que passou a 10 km atrás. "Senhor! Me guie com sabedoria por essa estrada que ainda tenho que seguir. Amém.", são as palavras daquele que conduz a vida com amor e sabedoria.

Preciso de algo que me obrigue a pisar no freio e andar numa velocidade baixa, que me permita ser lúcida e prudente. A fé ainda é o melhor meio de acalmar o coração inquieto, no entanto, é difícil controlar um carro desgovernado sem a mínima noção de quantas pessoas e lugares irá estragar no próximo segundo. 

O objetivo agora é aceitar a morte como uma amiga, e dizer: "Fique tranquila, estarei com você no momento exato que Deus determinou na sua caderneta. Não precisa me esperar antes do tempo, na minha hora lhe darei a mão e adentrarei o reino dos mortos com você de bom grado.

E que assim seja.

Que os pensamentos de agora em diante sejam positivos e que o freio funcione a tempo de evitar decepcionar tais divindades por pura inconsequência humana. Amém.





domingo, 30 de março de 2014

Um sábado.

Estávamos andando pelo campus da USP conversando sobre os últimos acontecimento de nossas vidas, ao adentrar no prédio de letras, surgiu o seguinte diálogo:

Su: E eu nessa loucura.
Flá: [...] De dizer que não te quero.
Su: Vou levando as aparências.
Flá: Disfarçando as evidências.
Su: Mas pra que viver fingindo.
Flá: Se eu não posso enganar meu coração.
Su: Eu sei que te amo.
Flá: Chega de mentiras.
Su: De negar o meu desejo.
Flá: Eu te quero mais que tudo.
Su: Eu preciso do teu beijo.
Flá: Eu entrego a minha vida.
Su: Pra você fazer o que quiser de mim.
Flá e Su: Só quero ouvir você dizer que sim!

risos.

Su: Acho melhor irmos para a aula, até mais tarde.

Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à Kalunga.

Flá: Olha esse caderno que bonito! Pena que não tenho nada para escrever nele.
Su: Flá, olha esses lápis. Eu preciso deles? Não, não preciso. Mas eu quero e vou comprar!
Flá: É, olha esse caderno. Eu não preciso, mas eu quero e vou comprar. Hashtag somos dessas!
Su: Sim! Pobres e consumistas! 

À noite, arrumando meu material de italiano enquanto a Melissa estava sentada na minha cama me contando sobre sua vida, eu pergunto:

Su: Quer ouvir o novo CD da Shakira?
Mel: Claro que não.
Su: Mas você vai ouvir essa música. 
Mel: Obrigada por perguntar se eu queria ouvir Shakira e principalmente por respeitar minha vontade de não ouvir...
Su: Você está na minha casa e vai ouvir o que eu quiser. Hã!
Mel: Hã, quem você pensa que é. Hã!
Su: Hã!
Mel: Eu falo Hã por último! Hã!
Su: Não, Hã!
Mel: Infinitamente Hã!
Su: Hã e ponto final!

Então a pizza chegou e fomos pegar o produto:

Su: Liu, você vai nos deixar sozinhas aqui fora?
Mel: Não estamos sozinhas. Tem um casal feliz e saltitante descendo a rua.
Su: Eles não estão felizes e saltitantes.

Então o casal se agarra, o cara pega a mulher no colo e começa a beijá-la.

Su: Ok, eles estão felizes e saltitantes.

Resumo de um sábado qualquer.

terça-feira, 18 de março de 2014

Confessions

Se a questão é confessar, nunca aprendi a cozinhar direito e não entendo as regras do poker, prefiro o futebol.

Não durmo antes da meia noite e tenho a mania de ficar me revirando na cama pensando sobre tudo o que aconteceu durante o dia. Um dos efeitos colaterais de ser letrista, é começar a analisar qualquer tipo de discurso que passa por debaixo do seu nariz, mesmo que esse discurso não tenha nenhum sentido especial. 

Creio que já fui injusta algumas vezes e quase nunca percebo uma irônia.

Nunca uso relógio de pulso, raramente uso salto alto e não conheço o nome de nenhuma marca de roupa ou celebridade do momento.

A verdade é que não chego atrasada em lugar algum, sou apressada e sempre saio com antecedência para não decepcionar àquele (a) que por mim espera. Também prefiro ficar em casa com alguém que me faça bem do que sair para um lugar abarrotado de pessoas que não se importam de verdade umas com as outras.

Comigo nada é fácil, mas você não sabe disso, uma vez que ainda não me conhece bem.
 
Se é preciso continuar confessando, não me interesso por metade das coisas que as mulheres se interessam e acabo dificultando as coisas para mim mesma quando deveria apenas deixar fluir.

Acredito que choro uma vez por semana e devoro um pacote de 500g de M&Ms como se estivesse tomando um simples copo d'água.

E para ser mais franca, não acredito ter nada de especial, mesmo porque me olho todos os dias no espelho e não vejo nada de diferente ou que valha a pena (e não estou pedindo 'confetes', estou sendo sincera).

Sei que o céu já está cansado de ouvir minhas preces, a cada dia que passa parece que tenho mais dúvidas e pedidos do que o dia anterior. Não consigo encontrar outra maneira de aliviar meu peito, porque seguir com essa esperança é inevitável.

Às vezes gostaria que tudo fosse mais fácil, o que aconteceu há algum tempo não deveria interferir no amanhã. No entanto, estou tentando ser paciente e vou persistir naquilo que acredito.

Uma vez me ensinaram que quando vamos falar sobre dois, é necessário começar falando de si mesmo.